Hora da mudança de patamar

VAVEL

Por Walace Borges (@wvborges)
Chegou a hora da Major League Soccer deixar de ser um cemitério de grandes craques para se tornar verdadeiramente um grande campeonato. E como fazer isso? Abrindo os cofres. Com a organização financeira que os times da Terra do Tio Sam têm hoje é impossível vencer qualquer torneio internacional e virar um campeonato de força que seja respeitado. É hora de arriscar.

Antes de tudo um rápido, e superficial, panorama de como é feita a conta dos salários na MLS

Atualmente a MLS dá direito para cada time gastar no máximo US$ 3,1 milhões (R$ 9,61 milhões) com salários por ano (a folha salarial mensal do Internacional, por exemplo, beira os R$ 9 milhões). Os jogadores têm teto salarial de US$ 387,5 mil (R$ 1,2 milhão), ou seja pouco mais de US$ 32 mil (R$ 99,2 mil) por mês. É claro que nomes como Gerrard, Kaká, Lampard e Pirlo passam, e muito, desse limite, mas para não avacalhar os clubes são obrigados desequilibrar os setores. Ou seja, para ter um Kaká em campo é necessário ter vários Zé das Couves na defesa e no ataque.

 

As grandes contratações chegam como “Jogadores designados”. Ou seja, podem estourar o limite de cada time com a desculpa de que é importante para a divulgação da marca MLS. Uma lógica justa para esportes justos como NBA, NFL e tantos outros que o Estados Unidos se acostumou a formar com louvor. Mas o futebol não é um esporte justo, ainda mais quando se fala em valores. Como competir com a Europa tendo sobre si um teto salarial tão baixo? 

Fim da breve explicação 

Há quem diga que Gerrard, Lampard, Pirlo, Villa e Kaká estão em fim de carreira e por isso foram parar na MLS. É claro que o mercado de todos eles na Europa já não era dos melhores, mas ainda figuravam com certo destaque por aí. E, com todo o respeito, não deve-se nunca desmerecer um pacote que tem seis títulos de Champions League. Claro que os cinco não chegam ao Estados Unidos no ápice de suas carreiras, mas ainda têm muito a dar. No entanto, para mudar de patamar, o nível das contratações tem de ser outro.

 

Nas condições financeiras atuais a MLS, que faz parte de um dos países mais ricos do mundo (se não o mais rico) não consegue competir, por exemplo, pela contratação de uma jovem estrela do futebol europeu. É inimaginável a compra de um Sterling da vida. Ou de um El Sharaway. E não falo de Messi ou Cristiano Ronaldo. Pare e pense: o teto salarial da MLS é de R$ 99,2 mil, certo? Sabe quanto ganhava o argentino Lucas Mugni (você sabe quem é?) no Flamengo? R$ 100 mil. Terceiro reserva no Flamengo e literalmente chutado do clube, ele já excederia o teto da liga americana.

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Acha que estou exagerando e a competitividade da MLS é boa? Olhe a Liga dos Campeões da Concacaf. No novo formato, que vigora desde 2008, apenas times mexicanos levaram esse título. E apenas em 2010/2011 e em 2014/2015 times da MLS chegaram à final (primeiramente o Real Salt Lake, que não tinha nenhum craque, e agora o Montreal Impact, que tinha como craque o argentino Ignacio Piatti, que brilhou no San Lorenzo). Nada de Galaxy de Beckham e Donovan ou Toronto de Michael Bradley e Giovinco. Ou seja, ter grandes nomes é bom para o marketing, mas não te garante competitividade internacional. E uma liga nunca é verdadeiramente respeitada sem que seus clubes sejam provados pelo mundo. Simples assim.

Pela primeira vez acredito que um time da MLS pode colocar medo em alguém nessa temporada: o Los Angeles Galaxy. Não só por Gerrard, Robbie Keane, Omar Gonzalez e Giovanni dos Santos (os que estouram o cap), mas também por Juninho, Robbie Rogers e outros que compõem bem o elenco. Nos resta torcer que o Tio Sam tire o caranguejo do bolso e os times fiquem mais competitivos. Imagine ver um Mundial de Clubes com todos esses craques enfrentando um time brasileiro? É esperar…

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Um comentário sobre “Hora da mudança de patamar

  1. Vera Valle 22 de julho de 2015 / 16:57

    Excelente texto. Parabéns!

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