Supervalorizados? Não, senhor!

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Por: Pedro Henrique Teixeira (@AllYourBalls)

A NBA não vive só de astros. Vive também de jogadores de rotação, jogadores que contribuem em setores específicos da quadra, vive de jovens que estão em constante evolução e vive de jogadores muito bons, que batem na porta do “next level”, mas talvez nunca cheguem realmente lá.

Com o mercado da NBA cada vez mais inflacionado, onde tudo é supervalorizado, eles encontram-se em situações em que podem barganhar por salários que, em outros tempos, seriam absurdos. 14 milhões por ano, por exemplo, para tirar uma média. Nesta temporada, utilizarei 4 casos nestes moldes e defenderei o posicionamento dos GMs. Note também que as motivações sãos diferentes em alguns casos, mas partem de um mesmo ponto: talento. Todos os 4 casos podem ser considerados “All-Stars in the making”.

 

GORDON HAYWARD

"Dá licença, senhor LeBron James"
“Dá licença, senhor LeBron James”

Hayward é um dos meus shooting guards atuais favoritos, desde sua entrada na liga. Basicamente por ser um all-around, jogador que tem a capacidade de fazer de tudo um pouco. Pontuar, pegar rebotes, distribuir assistências, armar uma jogada, defender alvos complicados, ser útil em outras posições, esse é o impacto que Gordon traz consigo ao jogo. Porém, por jogar no Utah Jazz, que atualmente está em rebuild após as saídas de Al Jefferson e Paul Millsap em anos anteriores, não vê muito amor tanto da mídia quanto do público não-torcedor do Jazz.

Hayward, nesta última off-season, entrou no mercado como um agente livre restrito e logo chamou a atenção do Charlotte Hornets, que ofereceu um gordo salário ao jogador. O Jazz cobriu e muita gente não entendeu. 63 milhões em 4 anos é bem pesado em um jogador que não é uma estrela e que vai compor um time que deve continuar mais alguns anos se construindo. E uma peça jovem de qualidade já estava no elenco, Derrick Favors. Fazia sentido renovar com ele ?

Sim, faz sentido.

Eu tenho alguns pontos para defendê-lo aqui. Primeiro, podemos analisar a própria posição em que Gordon joga e, como bônus, adicionar a sua adaptatividade. A liga não vive os seus anos mais impactantes com SGs em questão de estrelas. Harden é o que vive o melhor momento na liga, Wade é incrível, mas já encara problemas nos joelhos e Kobe, além da lesão recente, encara uma queda até normal de qualidade devido a sua idade. Porém, há uma listinha de jogadores da posição que podem dar o próximo passo, ou se não, serem ainda incrivelmente bons. Gordon é um deles.

Seguindo para o segundo ponto, um time com vários jogadores jovens como o Jazz precisa despejar o seu dinheiro em algum lugar. É melhor dar dinheiro para o talento de Hayward e Favors do que, como quase aconteceu na temporada passada, jogar salários gordos em jogadores como Richard Jefferson e Andris Biedrins.

Terceiro, o Jazz precisa se segurar em alguma coisa enquanto monta o seu rebuild. Abraçá-lo é uma boa tática. Já apontei pontos fortes dele. Se não é o suficiente, te convido a clicar aqui e obversar algumas estatísticas de sua carreira até aqui. E até notar já um crescimento nesta temporada. Defesa, ataque, movimentação, o que você quiser, Gordon Hayward pode te oferecer.

 

KLAY THOMPSON

"Olha, Kobe: Consistência"
Dois jogadores com altos contratos… o de branco merece?

Klayface (eu adoro esse apelido) também ganhou uma gorda renovação do Golden State Warriors. Ele é o integrante do duo mais ameaçador de perímetros da NBA, o Splash-Brothers, com o excelente Stephen Curry. Serão 70 milhões em 4 anos. O mais engraçado é que, mesmo com o valor próximo de Hayward, eu me queixaria mais de supervalorização aqui do que no outro caso, apesar de compreender o GM. Mas vamos devagar.

Klay é um shooting guard extremamente streaky. Assim como o Harden é streaky. O problema é que, quando Harden tá num jogo ruim de arremessos, ele consegue mudar após acertar uns dois seguidos. Klay não. Klay pode ser inefetivo ofensivamente por partidas inteiras. Sua defesa paga um pouco o pato, mas é complicado quando uma das suas armas ofensivas principais é extremamente instável.

Porém, o dinheiro também paga pelo potencial de Thompson. Ele é um SG alto, com arremesso rápido, boa movimentação e com uma defesa boa. A instabilidade pode ser corrigida com a evolução de seu jogo. E tudo que ele já domina, ele pode melhorar. Seu estilo de jogo casa perfeitamente com o proposto por Kerr. Klay é um complemento perfeito ao Curry e fica difícil imaginar algum outro SG que poderia substituí-lo.

Além disso, Klay está adicionando ao jogo um drive infinitamente mais preciso, está também caçando melhor as faltas durante os drives, além de uma maior segurança nos seus passes. Um próximo passo seria aprimorar a sua movimentação defensiva, como na movimentação para cortar trajetórias de passes.

E, com sua qualidade, ele é importante para a equipe. Segurá-lo é importante para as pretensões de Golden State nos anos futuros, em suas batalhas nos playoffs. Dos salários supervalorizados que eles poderiam encarar em outros jogadores, segurar um cara que já tem uma identificação com a torcida e é extremamente talentoso é um cenário favorável. Sem contar que mostra compromisso com a base principal da equipe. Klay, Lee, Bogut, Iguodala e Curry. O que é necessário pensar agora é em como segurar Draymond Green no ano que vem.

 

CHANDLER PARSONS

Parsons chegou com um baita contrato... merecido?
Parsons chegou com um baita contrato… merecido?

Parsons fez o caminho estranho de trocar de rivais. Persuadido por Mark Cuban, Parsons irá buscar o seu sucesso junto à Dirk Nowitzki e Monta Ellis. Olhando para eles dois, parece uma desvantagem, afinal James Harden e Dwight Howard são absurdos. Mas é compreensível tanto a decisão de Parsons e, principalmente, a motivação do Dallas Mavericks.

Parsons era conhecido como a “liga” do Houston Rockets. Sua flexibilidade salarial foi o que fez Dwight aceitar a proposta, é um cara muito fácil de lidar no locker room, segundo reports e, principalmente, é um baita jogador. Na minha opinião, é o cara mais próximo de dar o próximo passo e se tornar uma estrela da liga de fato. Como não querer um cara como esse no seu time?

Cuban foi em cima com todas as forças. Aproveitou que o Rockets estava distraído e esperando uma resposta de Chris Bosh e arrematou Parsons. Bingo, Mavs!

Mavs tem um big three de menor dimensão com Monta Ellis, Chandler Parsons e Dirk Nowitzki. E diversos jogadores de rotação de boa qualidade. O time tem um misto de talento e experiência. E tem o único coach que conseguiu dar um nó na cabeça de Popovich nos playoffs da temporada passada, Rick Carlisle.

Parsons cai um pouco na categoria de Hayward, conseguindo fazer de tudo um pouco. Porém, se destaca muito pela sua ofensividade e coletividade, além de sua capacidade de criar arremessos. Parsons pode te dar o máximo que ele pode toda noite e, apesar de alguma instabilidade, quando está encaixado em um esquema, tende a ser confiante. E com um coach como Carlisle, as expectativas são as melhores.

Serão 46 milhões em 3 anos. Em seus 3 anos de Rockets foram 16.6 pontos por jogo, 5.5 rebotes por jogo e 4 assistências por jogo. Ele pode evoluir. E eu não vejo motivos para não ser uma aposta para ser uma possível estrela da franquia após a aposentadoria de Dirk. Mas isso só o tempo responderá.

 

RICKY RUBIO

"Eba. Ganhei um ótimo contrato!"
“Eba. Ganhei um ótimo contrato!”

Rubio é um dos jovens estrangeiros mais badalados da liga. Armador com capacidade de passe fora do comum, é agora o principal ponto de sustento do Wolves após a saída de Kevin Love e deverá carregar uma equipe jovem lotada de talentos adiante nos próximos anos.

56 milhões em 4 anos é um valor alto para o que o Ricky já apresentou até hoje na liga. Apesar de ser um dos melhores passadores da NBA e um ótimo defensor, ele possui uma grande deficiência em seus arremessos. Em suas temporadas ele não conseguiu chegar 40% de FG na média da temporada. E um jogador sem um arremesso confiável não consegue dar um próximo passo numa liga complicadíssima como a NBA.

As motivações do Wolves é um grande misto dos três casos passados. É o cara que o Wolves precisava abraçar, que tem um talento futuro absurdo e que jogar um dinheiro pra prendê-lo é melhor do que deixá-lo ir embora e ficar sem um cara de confiança e adorado pela cidade.

Caso aprimore seu arremesso e torne-o confiável, Ricky dará um salto enorme para ser um dos grandes armadores da liga. Ele tem o biotipo interessante para um PG moderno.

Sua altura consegue colocá-lo em brigas por rebotes, por exemplo. E agora, atuando ao lado de vários outros jogadores que também vão lutar para evoluir e não para tentar vencer imediatamente, como eram nos anos anteriores com Kevin Love, Rubio terá mais tranquilidade e até apoio em sua jornada.

Supervalorização não se encaixa aqui

Com esses quatro casos quis apresentar algo interessante: nem sempre um valor alto significa supervalorização. Você paga um jogador não só por sua produção atual, potencial, encaixe e até a situação monetária de uma equipe da NBA influenciam no salário.

Obviamente existem casos que pessoas estão recebendo bem mais dinheiro do que merecem (Landry Fields!). Mas é necessária a reflexão antes de apontar o dedo em todos os casos. GMs tem que fazer coisas complicadas às vezes para segurar talentos e isso deveria ser levado em conta com mais carinho.

 

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